Perda de audição pode aumentar o risco de demência?

Perda de audição pode aumentar o risco de demência

Você já percebeu que algumas pessoas começam a ouvir menos com o passar dos anos e, algum tempo depois, também apresentam dificuldades de memória? Será que existe uma ligação entre essas duas condições?

A resposta é sim. Embora a perda de audição não seja a causa direta da demência, diversos estudos mostram que ela pode aumentar significativamente o risco de declínio cognitivo quando não é identificada e tratada.

A boa notícia é que esse é um dos poucos fatores de risco para demência que podem ser prevenidos ou reduzidos. Ao longo deste artigo, você vai entender por que isso acontece, quais são os sinais de alerta e como proteger tanto a audição quanto a saúde do cérebro.

O que é perda de audição

O que é perda de audição?

A perda auditiva é a redução parcial ou total da capacidade de ouvir sons. Ela pode surgir em qualquer idade, mas é muito mais comum após os 60 anos.

O problema costuma evoluir lentamente, fazendo com que muitas pessoas demorem para perceber que estão ouvindo menos. Frequentemente, familiares e amigos notam os primeiros sinais antes mesmo do próprio paciente.

As causas mais comuns incluem:

  • Envelhecimento natural (presbiacusia);
  • Exposição prolongada a ruídos intensos;
  • Infecções de ouvido;
  • Doenças crônicas, como diabetes e hipertensão;
  • Uso de medicamentos que podem afetar a audição;
  • Alterações genéticas.

Qual é a relação entre perda auditiva e demência

Qual é a relação entre perda auditiva e demência?

Pesquisas realizadas nas últimas décadas demonstraram que pessoas com perda auditiva apresentam maior risco de desenvolver demência quando comparadas àquelas com audição preservada.

Isso acontece por diferentes mecanismos que afetam diretamente o cérebro.

O cérebro precisa trabalhar mais

Quando os sons chegam de forma incompleta, o cérebro precisa fazer um esforço maior para interpretar o que está sendo ouvido.

Esse esforço constante consome recursos cognitivos que normalmente seriam utilizados para funções como memória, atenção e raciocínio.

Com o passar do tempo, essa sobrecarga pode favorecer o declínio cognitivo.

Menor estímulo cerebral

A audição é uma das principais formas de manter o cérebro ativo.

Quando ele recebe menos estímulos sonoros, algumas regiões relacionadas ao processamento da linguagem e da memória tendem a reduzir sua atividade, favorecendo alterações cognitivas ao longo dos anos.

Isolamento social

Pessoas com perda auditiva frequentemente evitam conversas, reuniões familiares e eventos sociais por dificuldade em compreender o que está sendo dito.

Esse isolamento reduz a estimulação intelectual e emocional, dois fatores fundamentais para manter o cérebro saudável.

Além disso, o isolamento social também está associado ao aumento do risco de depressão, outro fator relacionado ao declínio cognitivo.

O que dizem os estudos?

Atualmente, especialistas consideram a perda auditiva um dos principais fatores de risco modificáveis para demência.

Segundo a Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidados da demência, tratar precocemente a perda auditiva pode contribuir para reduzir significativamente os casos da doença ao longo da vida.

Pesquisas também sugerem que o uso de aparelhos auditivos por pessoas com indicação médica pode estar associado a uma redução na velocidade do declínio cognitivo, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente.

Embora nem todos os casos de demência possam ser evitados, cuidar da audição faz parte de uma estratégia importante para preservar a saúde cerebral.

Quais são os sinais de perda auditiva?

Os sintomas costumam aparecer de forma gradual. Entre os mais comuns estão:

  • Pedir frequentemente para repetirem o que foi dito;
  • Aumentar muito o volume da televisão ou do celular;
  • Dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos;
  • Sensação de que as pessoas falam baixo ou “para dentro”;
  • Dificuldade para falar ao telefone;
  • Zumbido constante nos ouvidos;
  • Evitar conversas por dificuldade em acompanhar o diálogo.

Quanto mais cedo esses sinais forem identificados, maiores são as chances de preservar a qualidade de vida.

É possível prevenir?

Nem toda perda auditiva pode ser evitada, principalmente aquela relacionada ao envelhecimento. No entanto, alguns cuidados ajudam a reduzir o risco e preservar a audição por mais tempo.

Entre eles estão:

  • Evitar exposição prolongada a sons altos;
  • Utilizar protetores auriculares quando necessário;
  • Controlar doenças como diabetes, hipertensão e colesterol elevado;
  • Não usar cotonetes no interior do ouvido;
  • Realizar avaliações auditivas periódicas, especialmente após os 60 anos;
  • Procurar atendimento ao perceber qualquer alteração na audição.

Quando procurar um médico?

Qualquer dificuldade para ouvir deve ser investigada.

O profissional mais indicado é o otorrinolaringologista, que poderá solicitar exames auditivos e indicar o tratamento adequado. Em muitos casos, o acompanhamento também envolve um fonoaudiólogo, responsável pela reabilitação auditiva.

Quanto antes a perda auditiva for diagnosticada, maiores são as possibilidades de manter a comunicação, a autonomia e a saúde cognitiva.

Cuidar da audição também é cuidar da memória

Cuidar da audição também é cuidar da memória

A perda auditiva vai muito além da dificuldade para ouvir. Ela pode interferir nas relações sociais, na qualidade de vida e, conforme apontam as pesquisas mais recentes, aumentar o risco de declínio cognitivo e demência.

A boa notícia é que esse é um fator que pode ser identificado e tratado precocemente. Consultas regulares, exames auditivos e atenção aos primeiros sinais fazem toda a diferença para preservar tanto a audição quanto o funcionamento do cérebro ao longo dos anos.

Afinal, envelhecer com saúde também significa continuar ouvindo, conversando, aprendendo e mantendo a mente ativa.

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