60 segundos de uma emergência, o que fazer?

60 segundos de uma emergência, o que fazer

Uma emergência pode acontecer em qualquer lugar e, muitas vezes, sem aviso. Uma pessoa pode desmaiar, sentir uma dor intensa no peito, ter dificuldade para respirar, sofrer uma queda ou apresentar sinais súbitos de AVC.

Nesses momentos, é comum o primeiro impulso ser o desespero. Mas os primeiros 60 segundos podem ser usados de uma maneira muito mais importante: avaliar a situação, proteger a vítima, acionar ajuda e iniciar os cuidados adequados quando necessário.

Primeiros socorros não substituem o atendimento médico. Eles servem para preservar a vida e evitar o agravamento da situação até a chegada de profissionais capacitados.

Os primeiros 10 segundos_ mantenha a calma e observe a cena

Os primeiros 10 segundos: mantenha a calma e observe a cena

Antes de tocar na vítima, existe uma pergunta que precisa vir primeiro:

O local é seguro?

Uma pessoa que tenta ajudar sem perceber um risco pode acabar se tornando outra vítima. Por isso, observe rapidamente se existe perigo de trânsito, fogo, eletricidade, fumaça, produtos químicos, desabamento ou qualquer outra ameaça.

Se a cena estiver segura, aproxime-se e tente descobrir o que aconteceu.

Em acidentes, também é importante observar quantas pessoas estão envolvidas e se alguém está preso ou apresenta sinais de gravidade.

De 10 a 20 segundos: a pessoa responde?

Fale com a vítima e pergunte se ela está bem.

Se ela responder, procure entender o que está sentindo e observe alterações importantes, como falta de ar, dor intensa, sangramento ou confusão.

Se não houver resposta, a situação pode ser grave. Nesse caso, peça ajuda imediatamente e verifique se a pessoa está respirando normalmente.

Uma respiração anormal, incluindo movimentos semelhantes a “gasping” — respiração agônica ou ofegante — não deve ser confundida com uma respiração normal em uma pessoa inconsciente. Em uma situação de colapso súbito, isso pode ser sinal de parada cardiorrespiratória.

De 20 a 30 segundos: peça ajuda

No Brasil, o SAMU pode ser acionado gratuitamente pelo número 192, 24 horas por dia.

A ligação começa com a coleta de informações sobre o que aconteceu e a localização da vítima. Em seguida, a equipe de regulação pode orientar quem está no local sobre as primeiras medidas e decidir, de acordo com a gravidade, pelo envio de uma unidade de atendimento.

Ao ligar, procure informar:

  • onde a emergência aconteceu;
  • o que aconteceu;
  • quantas pessoas precisam de atendimento;
  • se a vítima está consciente;
  • se está respirando;
  • quais sinais ou sintomas foram observados.

Não desligue antes de receber orientação.

De 30 a 40 segundos: identifique se existe risco imediato

Nem toda emergência se apresenta da mesma maneira.

Alguns sinais exigem atenção imediata, como:

  • dificuldade importante para respirar;
  • perda de consciência;
  • ausência de respiração normal;
  • dor súbita e intensa no peito;
  • convulsão;
  • sangramento intenso;
  • sinais de AVC;
  • trauma grave;
  • queimaduras extensas;
  • afogamento;
  • choque elétrico.

O próprio Ministério da Saúde orienta o acionamento do SAMU em situações como problemas cardiorrespiratórios, suspeita de infarto ou AVC, crises convulsivas, afogamentos, queimaduras graves, choques elétricos e acidentes com vítimas.

De 40 a 50 segundos: se for uma parada cardíaca, aja rapidamente

Uma das situações em que cada segundo realmente importa é a parada cardiorrespiratória.

Se um adulto sofre um colapso súbito, não responde e não está respirando normalmente, é necessário acionar o serviço de emergência e iniciar a ressuscitação cardiopulmonar (RCP).

Para uma pessoa leiga diante de um adulto que sofreu um colapso súbito, a RCP somente com compressões é uma opção recomendada quando não há treinamento ou segurança para realizar ventilações.

As compressões devem ser feitas no centro do peito, com força e rapidez, em uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto. Para adultos, a profundidade recomendada é de pelo menos 5 cm, evitando ultrapassar 6 cm, e é importante permitir que o tórax retorne à posição normal entre as compressões.

Se houver um desfibrilador externo automático (DEANOL) disponível, ele deve ser utilizado assim que possível, seguindo as instruções do próprio aparelho.

De 50 a 60 segundos_ continue até a ajuda chegar

De 50 a 60 segundos: continue até a ajuda chegar

Os primeiros 60 segundos não são o fim do atendimento. São o começo.

Depois de acionar o socorro, continue observando a vítima e siga as orientações fornecidas pelo profissional que estiver conduzindo o atendimento por telefone.

Se estiver realizando RCP, continue as compressões até que a pessoa apresente sinais de vida ou uma equipe treinada assuma o atendimento.

O objetivo não é “resolver” a emergência sozinho. É ganhar tempo e evitar que a situação se agrave enquanto o atendimento especializado não chega.

E quando os sinais apontam para um AVC?

O AVC é uma emergência em que reconhecer rapidamente os sinais pode fazer diferença.

Entre os principais sintomas estão:

  • fraqueza ou formigamento, principalmente em um lado do corpo;
  • alteração na fala ou na compreensão;
  • alteração súbita da visão;
  • dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio;
  • confusão mental;
  • dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente.

Diante desses sinais, o Ministério da Saúde recomenda buscar atendimento imediatamente, inclusive acionando o SAMU 192. Quanto mais rápido a pessoa for avaliada, maiores podem ser as possibilidades de tratamento e recuperação.

Uma informação especialmente importante é anotar o horário em que os sintomas começaram ou quando a pessoa foi vista bem pela última vez. Essa informação pode ser relevante para a avaliação médica.

E se a pessoa estiver engasgada?

O engasgo acontece quando um objeto ou alimento bloqueia parcial ou totalmente as vias aéreas.

Se a pessoa consegue tossir e respirar, a orientação geral é incentivá-la a continuar tossindo e observar sua evolução.

Já quando existe obstrução grave, a pessoa pode não conseguir falar, tossir ou respirar adequadamente e pode apresentar sinais de sufocação.

Nesse cenário, são necessárias manobras específicas de desobstrução, que variam conforme a idade e a situação. Por isso, seguir imediatamente as orientações do serviço de emergência é fundamental.

Se a pessoa ficar inconsciente, a situação muda e pode ser necessário iniciar RCP.

E durante uma convulsão

E durante uma convulsão?

Uma convulsão pode ser assustadora para quem presencia, mas algumas atitudes aparentemente protetoras podem ser perigosas.

Durante uma crise:

não tente segurar os movimentos da pessoa e não coloque objetos ou os dedos dentro da boca dela.

O ideal é afastar objetos que possam causar ferimentos e proteger a pessoa de riscos ao redor.

Depois que os movimentos cessarem, a avaliação da respiração e do nível de consciência é importante.

O SAMU deve ser acionado especialmente diante de situações de emergência, como uma primeira convulsão, crise prolongada, crises repetidas ou quando a pessoa não recupera a consciência adequadamente.

Em caso de trauma, menos pode ser mais

Depois de uma queda, colisão ou outro acidente, pode existir uma lesão que não seja visível.

Por isso, não é recomendado movimentar desnecessariamente a vítima, especialmente quando existe suspeita de trauma importante.

Em acidentes envolvendo motociclistas, por exemplo, o Ministério da Saúde orienta não retirar o capacete da vítima e aguardar orientação especializada. Também recomenda não oferecer água aos acidentados.

A prioridade é manter a segurança do local, acionar o socorro e evitar intervenções que possam agravar uma possível lesão.

O que nunca fazer em uma emergência?

Mesmo quando a intenção é ajudar, algumas atitudes podem aumentar os riscos.

Evite:

  • oferecer comida, bebida ou medicamentos a uma pessoa inconsciente;
  • colocar objetos na boca de alguém durante uma convulsão;
  • tentar conter à força os movimentos de uma pessoa durante uma crise convulsiva;
  • retirar o capacete de um motociclista acidentado;
  • movimentar uma vítima de trauma sem necessidade;
  • tentar fazer procedimentos para os quais você não possui treinamento;
  • atrasar o acionamento do socorro para tentar resolver a situação sozinho.

Em uma emergência, agir rapidamente não significa agir de qualquer maneira.

Por que 60 segundos podem fazer tanta diferença?

O organismo depende continuamente de circulação sanguínea e oxigenação adequadas.

Quando o coração deixa de bombear sangue de maneira eficaz, por exemplo, o cérebro e outros órgãos deixam de receber oxigênio adequadamente. Por isso, o reconhecimento rápido da parada, a RCP e a desfibrilação precoce, quando indicada, fazem parte da chamada cadeia de sobrevivência.

O mesmo princípio aparece em outras emergências: identificar rapidamente os sinais, acionar o atendimento e iniciar as medidas apropriadas pode reduzir o tempo até o tratamento.

Por isso, os primeiros 60 segundos não precisam ser perfeitos.

Eles precisam ser rápidos, seguros e conscientes.

Informação também é uma forma de prevenção

Informação também é uma forma de prevenção

Você não precisa ser profissional de saúde para aprender noções básicas de primeiros socorros.

Saber reconhecer uma parada cardiorrespiratória, identificar sinais de AVC, entender quando acionar o SAMU e saber o que evitar pode fazer diferença enquanto a equipe especializada está a caminho.

E existe uma regra que vale para praticamente qualquer emergência:

primeiro, proteja-se. Depois, reconheça o problema. Acione ajuda. E siga as orientações dos profissionais.

Porque, quando uma emergência acontece, 60 segundos podem parecer apenas um minuto.

Para o corpo humano, entretanto, podem representar uma diferença enorme.

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