Nos últimos dias, a morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, em decorrência de um câncer colorretal, trouxe novamente o câncer colorretal para o centro das conversas. A doença também marcou a trajetória de outras personalidades brasileiras, como Preta Gil e Pelé, chamando a atenção para a importância da conscientização e do diagnóstico precoce.
Mais do que repercutir histórias que comoveram o país, esse momento nos convida a olhar para algo essencial: cuidar da saúde intestinal também é uma forma de cuidar do futuro.
Embora o câncer colorretal seja uma doença séria, a informação pode ajudar a reconhecer sinais de alerta, identificar fatores de risco e buscar acompanhamento médico no momento adequado.
O que é o câncer colorretal?
O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é um tumor maligno que se desenvolve no cólon ou no reto, partes do intestino grosso responsáveis por etapas importantes do funcionamento do sistema digestivo.
Em muitos casos, a doença começa com o aparecimento de pólipos, pequenas formações na parede intestinal. Embora nem todos se transformem em câncer, alguns podem evoluir para tumores malignos ao longo do tempo.
Essa evolução gradual torna a prevenção e a detecção precoce especialmente importantes. Exames de rastreamento podem identificar alterações antes mesmo do aparecimento dos sintomas, permitindo que a equipe médica investigue o quadro e indique a conduta mais adequada.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cólon e reto está entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e aos cuidados preventivos.
Quais são os sintomas do câncer colorretal?
Um dos desafios dessa doença é que ela pode evoluir sem apresentar sintomas evidentes nos estágios iniciais. Quando os sinais aparecem, é importante observar sua persistência e procurar avaliação médica.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Sangue nas fezes: pode aparecer com coloração vermelha ou deixar as fezes mais escuras.
- Mudanças no funcionamento do intestino: diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois, especialmente quando persistentes.
- Dor ou desconforto abdominal: cólicas frequentes, distensão ou incômodo sem explicação aparente.
- Alterações no formato das fezes: principalmente quando surgem junto a outras mudanças intestinais.
- Perda de peso sem motivo aparente: emagrecimento involuntário que merece investigação.
- Cansaço e fraqueza persistentes: podem estar relacionados à anemia, inclusive quando provocada por perdas de sangue não percebidas.
Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer. Hemorroidas, infecções e outras condições também podem provocar manifestações semelhantes. Ainda assim, não devem ser ignorados, principalmente quando persistem ou se repetem.
Atenção: não espere que os sintomas se intensifiquem para procurar atendimento. Quanto antes uma alteração suspeita for investigada, maiores são as possibilidades de identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.
Quem tem maior risco de desenvolver a doença?
O câncer colorretal pode atingir pessoas de diferentes idades, mas alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento da doença.
Entre eles estão:
- Histórico pessoal ou familiar de câncer colorretal e determinados tipos de pólipos intestinais.
- Presença de doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn.
- Alimentação com consumo frequente de carnes processadas, como salsicha, linguiça, bacon e presunto, além do consumo elevado de carne vermelha.
- Sedentarismo e excesso de peso.
- Consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo.
- Envelhecimento.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa desenvolverá a doença. Da mesma forma, a ausência deles não elimina o risco.
A história familiar merece atenção especial. Quem tem parentes próximos que receberam diagnóstico de câncer colorretal, sobretudo em idade mais jovem, deve conversar com um médico sobre a necessidade de começar o acompanhamento e os exames preventivos mais cedo.
Como prevenir o câncer colorretal?
Não existe uma única medida capaz de evitar todos os casos de câncer colorretal. No entanto, alguns hábitos podem contribuir para reduzir o risco e favorecer a saúde intestinal.
1. Mantenha uma alimentação equilibrada
Priorize alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras, legumes, feijão e cereais integrais. Também vale reduzir o consumo de carnes processadas e moderar a ingestão de carne vermelha.
2. Pratique atividade física regularmente
Caminhadas, musculação, dança, ciclismo e outras atividades adequadas à sua condição física ajudam a combater o sedentarismo e contribuem para a saúde geral.
3. Evite o cigarro e limite os fatores de risco
Não fumar e evitar bebidas alcoólicas são medidas importantes para a prevenção de diferentes tipos de câncer, incluindo o colorretal.
4. Observe as mudanças do seu corpo
Alterações persistentes no hábito intestinal, sangramento e desconfortos frequentes precisam de atenção. Evite a automedicação e procure orientação profissional para investigar a causa.
5. Converse com seu médico sobre os exames preventivos
Mesmo sem sintomas, algumas pessoas podem se beneficiar do rastreamento, conforme a idade, o histórico familiar e os protocolos de saúde aplicáveis.
A prevenção não precisa começar com grandes mudanças de uma só vez. Pequenas escolhas consistentes, associadas ao acompanhamento profissional, ajudam a construir uma rotina de cuidados.
Quais exames ajudam a detectar o câncer colorretal?
A investigação depende da idade, dos sintomas e dos fatores de risco de cada pessoa.
Entre os exames utilizados estão:
- Teste imunoquímico fecal (FIT): analisa uma amostra de fezes para identificar pequenas quantidades de sangue que não são visíveis a olho nu. Um resultado positivo exige investigação complementar.
- Colonoscopia: permite visualizar o interior do intestino grosso e do reto. Durante o procedimento, o médico também pode retirar determinados pólipos e coletar amostras para análise.
Em maio de 2026, o Ministério da Saúde anunciou um novo protocolo de rastreamento do câncer colorretal no SUS para pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos, utilizando o FIT como exame de referência. Em agosto de 2026, o procedimento foi incluído na tabela do SUS. A oferta e a implementação prática devem ser verificadas junto ao serviço de saúde.
É importante destacar que pessoas com sintomas ou histórico familiar relevante podem precisar de investigação antes dessa faixa etária. Nesses casos, não se deve esperar a idade indicada para o rastreamento de rotina.
A escolha do exame e a periodicidade dependem da avaliação médica e das recomendações aplicáveis a cada situação.
O papel do acompanhamento médico na prevenção
Cuidar da saúde vai além de procurar atendimento quando alguma coisa não vai bem. Consultas periódicas ajudam a avaliar fatores de risco, esclarecer dúvidas, acompanhar mudanças no organismo e identificar a necessidade de exames.
O acompanhamento também é importante para quem já apresenta sintomas, tem histórico familiar da doença ou precisa monitorar alterações identificadas anteriormente.
Nesse processo, ter acesso a uma rede de atendimento adequada e conhecer as possibilidades de assistência disponíveis pode facilitar a busca por orientação e a continuidade dos cuidados, por isso um plano de saúde pode ajudar você e sua família a cuidar melhor da saúde.

Cuidar da saúde hoje é pensar em quem estará ao seu lado amanhã
As histórias de Lua Blanco, Preta Gil e Pelé nos lembram da importância de falar sobre o câncer colorretal com seriedade e sensibilidade. Cada trajetória é única, e nenhuma delas deve ser reduzida à doença que enfrentou.
O que podemos fazer diante dessas histórias é transformar a comoção em conscientização: observar os sinais do corpo, buscar orientação médica, manter os cuidados preventivos em dia e incentivar as pessoas que amamos a fazer o mesmo.
Afinal, cuidar da saúde não é apenas uma decisão individual. É também uma maneira de valorizar os momentos em família, os planos que ainda queremos realizar e o tempo que desejamos compartilhar com quem faz parte da nossa vida.
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