Um caroço no pescoço, um cansaço que não passa ou episódios de suor intenso durante a noite podem parecer sinais comuns de diferentes problemas de saúde. Em alguns casos, porém, esses sintomas podem estar relacionados ao linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático.
Apesar do impacto que o diagnóstico pode causar, existe uma informação importante: o linfoma de Hodgkin está entre os cânceres com altas taxas de cura quando diagnosticado e tratado adequadamente. Por isso, conhecer os sinais de alerta e procurar avaliação médica quando eles persistem pode fazer diferença.
O que é o linfoma de Hodgkin?
O linfoma de Hodgkin, também chamado de doença de Hodgkin, é um câncer que começa no sistema linfático, parte do sistema imunológico responsável, entre outras funções, por ajudar o organismo a combater infecções.
A doença geralmente se origina nos linfócitos B, células de defesa presentes nos linfonodos e em outros tecidos do sistema linfático. Ela pode atingir diferentes regiões do corpo, principalmente os gânglios linfáticos do pescoço, tórax, axilas e abdômen.
Existem dois grandes grupos de linfoma de Hodgkin:
- Linfoma de Hodgkin clássico, que é o tipo mais frequente;
- Linfoma de Hodgkin com predomínio linfocitário nodular, uma forma menos comum e com características diferentes.
A doença pode aparecer em diferentes idades, mas apresenta maior frequência em adultos jovens e também em pessoas com 65 anos ou mais.
Quais são os sintomas?
Um dos sinais mais conhecidos é o surgimento de um gânglio aumentado, popularmente chamado de íngua. No linfoma de Hodgkin, esse aumento costuma ser indolor e pode aparecer principalmente no pescoço, axila ou virilha.
No entanto, nem sempre a doença provoca apenas um caroço. Outros sintomas podem surgir conforme a região afetada e a evolução do quadro.
Entre os principais sinais estão:
- aumento persistente dos linfonodos;
- febre sem causa aparente;
- suor noturno intenso;
- perda de peso sem explicação;
- cansaço persistente;
- coceira no corpo;
- tosse ou falta de ar;
- dor ou desconforto no peito;
- aumento ou desconforto abdominal.
Quando os linfonodos aumentados estão dentro do tórax, por exemplo, eles podem pressionar estruturas da região e provocar tosse, falta de ar ou dor no peito.
Um detalhe que merece atenção
Algumas pessoas podem apresentar dor nos linfonodos após consumir bebidas alcoólicas. Embora seja um sinal incomum e não específico, ele pode ocorrer no linfoma de Hodgkin e merece investigação quando aparece associado a outros sintomas.
É importante lembrar: ter uma íngua, sentir cansaço ou apresentar suor noturno não significa, por si só, ter linfoma. Infecções e outras condições são causas muito mais comuns desses sintomas. O que importa é observar a persistência e buscar avaliação profissional quando houver algo fora do habitual.
Como o linfoma de Hodgkin é diagnosticado?
O diagnóstico não é feito apenas pelos sintomas ou por um exame de sangue.
O principal exame para confirmar o linfoma de Hodgkin é a biópsia de um linfonodo ou de outro tecido afetado. O material retirado é analisado por um patologista para identificar as características das células e definir o tipo de linfoma.
Depois da confirmação, outros exames podem ser necessários para descobrir onde a doença está localizada e qual é a sua extensão. Essa etapa é chamada de estadiamento.
Podem ser utilizados:
- exames de sangue;
- tomografia computadorizada;
- PET-CT;
- outros exames de imagem, conforme a avaliação médica.
O PET-CT é utilizado para avaliar a extensão da doença e também pode ajudar a verificar a resposta ao tratamento.
Quais são os estágios do linfoma de Hodgkin?
Assim como acontece com outros tipos de câncer, o linfoma de Hodgkin é dividido em estágios de acordo com a extensão da doença.
De maneira geral, os estágios vão de I a IV:
Estágio I: a doença está localizada em uma única região de linfonodos ou estrutura específica.
Estágio II: duas ou mais regiões de linfonodos estão comprometidas, geralmente do mesmo lado do diafragma.
Estágio III: existem regiões afetadas em ambos os lados do diafragma.
Estágio IV: a doença apresenta disseminação para órgãos ou tecidos fora do sistema linfático, como fígado, pulmões ou medula óssea.
Além do estágio, os médicos consideram outros fatores para definir o prognóstico e escolher o tratamento mais adequado.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende do tipo de linfoma, estágio da doença, características individuais e resposta ao tratamento.
Entre as principais opções estão:
Quimioterapia
É uma das principais formas de tratamento do linfoma de Hodgkin. Os medicamentos podem ser utilizados em combinação para destruir as células cancerígenas.
No INCA, o protocolo ABVD é utilizado como tratamento de rotina para o linfoma de Hodgkin clássico, de acordo com a situação clínica do paciente.
Radioterapia
Pode ser indicada em determinadas situações, especialmente quando a doença está localizada em regiões específicas. A decisão depende do estágio e das características do caso.
Imunoterapia
Medicamentos que atuam sobre mecanismos específicos do sistema imunológico também podem fazer parte do tratamento, principalmente em determinadas situações clínicas, como doença recaída ou refratária.
Transplante de células-tronco
Em alguns pacientes cuja doença retorna ou não responde adequadamente ao tratamento inicial, pode ser considerado o transplante autólogo de células-tronco.
Linfoma de Hodgkin tem cura?
Sim. Em muitos casos, o objetivo do tratamento é a cura.
Os avanços na identificação da doença e nas opções terapêuticas melhoraram significativamente os resultados ao longo das últimas décadas. Dados do INCA apontam que aproximadamente 70% a 80% dos pacientes podem ser curados com os tratamentos disponíveis, enquanto mesmo entre pessoas com doença avançada a cura pode ser alcançada em parte significativa dos casos.
Isso não significa que todos os pacientes terão a mesma evolução. O prognóstico depende de fatores como estágio da doença, características do linfoma, condições gerais de saúde e resposta ao tratamento.
Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento individualizado são fundamentais.
É possível prevenir o linfoma de Hodgkin?
Não existe uma forma conhecida de prevenir todos os casos de linfoma de Hodgkin.
Alguns fatores estão associados a um risco maior, como histórico familiar da doença, infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr e determinadas condições que comprometem o sistema imunológico. Ainda assim, ter um fator de risco não significa que a pessoa desenvolverá a doença.
Também não existe, atualmente, recomendação de rastreamento periódico para pessoas sem sintomas com o objetivo de detectar precocemente o linfoma de Hodgkin. A atenção deve estar voltada principalmente à investigação de sinais suspeitos.
Quando procurar um médico?
Uma íngua isolada costuma ter causas benignas, especialmente infecções. Porém, alguns sinais merecem atenção.
Procure avaliação médica se perceber um caroço que persiste ou aumenta, principalmente quando ele é indolor, ou se houver sintomas como febre recorrente sem explicação, suor noturno intenso, perda de peso involuntária, cansaço persistente ou coceira sem causa aparente.
Quanto antes uma alteração persistente for investigada, mais rápido será possível descobrir sua causa e, se necessário, iniciar o tratamento adequado.
Informação também é uma forma de cuidado
O linfoma de Hodgkin pode assustar, principalmente quando o diagnóstico acontece de forma inesperada. Mas conhecer a doença ajuda a substituir o medo provocado pela desinformação por uma compreensão mais clara sobre sintomas, diagnóstico e possibilidades de tratamento.
Um sintoma não é um diagnóstico. Mas um sintoma persistente merece atenção.
Se algo mudou no seu corpo e não está melhorando, procure um profissional de saúde. A investigação adequada é o caminho para entender o que está acontecendo e, quando necessário, começar o tratamento o quanto antes.




