A psoríase costuma ser lembrada pelas placas avermelhadas e descamativas que aparecem na pele. Por isso, é comum pensar que o tratamento se resume ao uso de cremes e pomadas. Mas, em alguns casos, o cuidado precisa ir além da pele.
A psoríase é uma doença inflamatória crônica e pode apresentar diferentes níveis de gravidade. Enquanto algumas pessoas conseguem controlar os sintomas com tratamentos aplicados diretamente nas lesões, outras podem precisar de fototerapia ou medicamentos que atuam de forma mais ampla no organismo.
Mas quando isso acontece? E quais são as opções disponíveis?
Por que nem sempre os cremes são suficientes?
Os tratamentos tópicos, como cremes, pomadas e loções, são importantes principalmente nos casos leves e podem fazer parte do tratamento mesmo quando outras terapias são necessárias.
Eles atuam diretamente sobre as áreas afetadas e podem ajudar a reduzir inflamação, descamação, coceira e outros sintomas.
Porém, quando as lesões são mais extensas, persistentes ou não respondem adequadamente ao tratamento tópico, o dermatologista pode considerar outras estratégias. A escolha depende da extensão da doença, dos sintomas, do impacto na qualidade de vida e das características de cada paciente.
Quando a psoríase pode exigir outro tipo de tratamento?
Não existe uma regra única que determine quando uma pessoa deve deixar de usar tratamentos tópicos. A avaliação é individual.
Algumas situações podem levar o dermatologista a considerar outras alternativas, como:
- Lesões que ocupam uma área extensa do corpo;
- Psoríase que não apresenta resposta satisfatória ao tratamento tópico;
- Sintomas que interferem na rotina e na qualidade de vida;
- Acometimento de regiões como couro cabeludo, unhas, mãos, pés ou áreas mais sensíveis;
- Quadros de maior gravidade;
- Presença de artrite psoriásica.
Por isso, a persistência dos sintomas mesmo com o tratamento não significa que a pessoa deva simplesmente aumentar a quantidade de pomada utilizada. Pode ser necessário reavaliar a estratégia terapêutica.
Fototerapia: quando a luz passa a fazer parte do tratamento
Uma das alternativas que podem ser utilizadas quando o tratamento tópico não é suficiente é a fototerapia.
O método utiliza determinados tipos de luz ultravioleta sob supervisão profissional. A fototerapia pode ajudar a diminuir a inflamação, reduzir a coceira e controlar a multiplicação acelerada das células da pele.
Entre as modalidades utilizadas está a UVB de banda estreita. Dependendo do quadro, outras técnicas também podem ser consideradas.
A fototerapia exige acompanhamento e sessões programadas. Portanto, não deve ser confundida com simplesmente tomar sol por conta própria. O tipo de luz, a dose e a frequência precisam ser definidos de acordo com cada paciente.
E quando entram os medicamentos sistêmicos?
Em determinados casos, o tratamento pode precisar atuar além da região afetada. É aí que entram os chamados medicamentos sistêmicos, que podem ser administrados por via oral ou injetável e atuam de forma mais ampla no organismo.
Entre as opções utilizadas no tratamento da psoríase estão medicamentos como metotrexato, ciclosporina, acitretina e apremilaste, além de outras terapias específicas. A indicação depende do tipo e da gravidade da doença, das características do paciente e de outros fatores avaliados pelo médico.
Esses medicamentos não devem ser utilizados por conta própria. Alguns exigem acompanhamento clínico e exames durante o tratamento.
O que são os medicamentos biológicos?
Os medicamentos biológicos representam outra possibilidade para determinados pacientes, principalmente em casos de psoríase moderada a grave que podem se beneficiar de terapia sistêmica.
Eles atuam de maneira direcionada em componentes específicos envolvidos no processo inflamatório da psoríase. Existem diferentes classes de medicamentos biológicos, que interferem em moléculas relacionadas à inflamação, como TNF, IL-17 e IL-23.
No Brasil, existem diferentes medicamentos biológicos aprovados para determinadas situações relacionadas à psoríase. A indicação depende da avaliação médica e dos critérios previstos para cada tratamento.
O tratamento pode combinar diferentes opções?
Sim. O tratamento da psoríase não precisa necessariamente seguir uma única abordagem.
Dependendo do caso, o dermatologista pode combinar tratamentos tópicos com fototerapia ou medicamentos sistêmicos. Essa combinação pode ser utilizada para melhorar o controle da doença e atender às necessidades específicas de cada paciente.
Por isso, mesmo quando uma pessoa começa um tratamento sistêmico ou biológico, os cuidados com a pele e os tratamentos tópicos podem continuar fazendo parte da rotina.
A psoríase afeta apenas a pele?
Não necessariamente.
Embora as manifestações na pele sejam as mais conhecidas, a psoríase é considerada uma doença inflamatória sistêmica. Algumas pessoas também podem desenvolver outras condições associadas, incluindo a artrite psoriásica, que pode causar dor, rigidez e inchaço nas articulações.
Por isso, durante o acompanhamento, é importante informar ao médico qualquer sintoma novo, principalmente dores ou rigidez nas articulações.
O tratamento também deve considerar o impacto da doença na qualidade de vida, já que sintomas como coceira, lesões visíveis e desconforto podem afetar atividades do dia a dia.
Existe um tratamento ideal para todos?
Não.
A psoríase pode se manifestar de maneiras diferentes, e uma terapia que funciona para uma pessoa pode não ser a mais adequada para outra. A escolha depende de fatores como gravidade, localização das lesões, histórico de tratamentos, outras condições de saúde, possíveis contraindicações e preferência do paciente.
Por isso, o tratamento deve ser individualizado e acompanhado por um dermatologista.
Quando procurar um dermatologista?
Se as lesões continuam aparecendo, aumentam de extensão, causam muita coceira ou não melhoram com o tratamento prescrito, é importante retornar ao dermatologista.
Também é importante procurar avaliação quando surgem sintomas nas unhas ou articulações, ou quando a doença começa a interferir na rotina, no sono ou na qualidade de vida.
Mais do que tratar as lesões, é preciso controlar a doença
A psoríase é uma condição crônica que pode exigir acompanhamento contínuo. Cremes e pomadas continuam sendo importantes em muitos casos, mas eles não são a única possibilidade de tratamento.
Fototerapia, medicamentos sistêmicos e terapias biológicas podem fazer parte do cuidado quando há indicação médica. O objetivo é controlar a inflamação, reduzir os sintomas, melhorar a qualidade de vida e encontrar uma estratégia que seja adequada para cada pessoa.
Se você convive com psoríase e sente que o tratamento atual já não está funcionando como antes, converse com um dermatologista antes de fazer qualquer mudança por conta própria.



